sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

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Ao grande amigo Adriano Barros

Meu coração não é de pedra. Eu não me chamo Pedro. Pedro é nome de gente forte. De fortaleza. E minha força é de papel. É no papel. É no pintar com outras cores as cores da vida. Faço do preto, vermelho. Do branco, um girassol. Faço coelhos de nuvens. Faço sinfonias em sustenido-bemol. É um pouco de violão e arte. De violar a tenra parte. Subverter, divertir, divorciar, divergir, devanear. Devo devanear mil horas por dia. De ar em ar, devanear. Devanear de ver néons no fim das tardes. Às margens dos rios. Nos mares do meu coração. O sol bate nas águas. Mágoas doces. Mágoas salgadas. Mágoas são dadas a todo instante. Mas no poema a mágoa se deixa sorrir. Se faz firmar em tudo que nasce. Ainda na tristeza que brota. Ainda na cicatriz que retoca uma velha dor. As dores são as pernas da poesia. Quem nunca sentiu, que se lance no primeiro horizonte. Porque em toda fronte não corre apenas sangue. Corre um mangue de choro, corre um riso que cura, corre o segredo mais caro, corre o fogo e a pira. Por isso afagos são bons, mas não marcam. Tudo que marca, arde. Tudo que marca, morde. A pele tem de sentir pra alma não se calar. Pra não secar o lar onde a fonte enfrenta o medo. Onde o sereno não morre orvalho. Onde o gesto falho se incendeia. E o pecado se veste em luz. Com pecados claros e com a face nua. Com as ruas abertas. Com abismos, cinismos e tantos ismos. Que seja o mundo como ele é. Com a prostituição aflorando às esquinas. Com as latrinas cheirando à nossa existência. O real tem de ser real para que os sonhos não percam o seu lugar.


- Mário Liz -

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Gaiola Aberta (Vai, Alegria!)

Gaiola Aberta (Vai, Alegria!)

(Mário Liz)

Eu tenho as Sete Cabeças do Bicho de segunda a segunda.
E de segundo em segundo me viro com uma só alma.
Com minha palma esquerda bato na cara da vida.
Com a direita aceno ciao... a despedida do meu dia.
O Entardecer do coração. Da solidão estreita.
Tudo fica pequeno. O vinho, o cuspe, o veneno...
Toda versão envenena... o som, a luz, o poema.
É feito aversão a tudo.
E sigo a ver são o silêncio.
E me calo n’alegria que vai chegar.
Vai chegar a alegria.
Ela é folia que bate-e-volta.
E Minha boca a prende nos dentes.
Mas meu riso se abre. E ela se solta.

Quem sou eu

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Pouso Alegre, Minas Gerais -, Brazil
Redator Publicitário e Planejamento Estratégico da Cartoon Publicidade, graduado em Publicidade e Propaganda pela UNIVAS. Bacharel em Direito, graduado pela Faculdade de Direito do Sul de Minas. Roteirista do projeto multimídia E-URBANO1 e E-URBANO2, pela UNIVAS E UNICAMP. Ganhador do concurso nacional de redação de 2006 (MEC E FOLHA DIRIGIDA-RJ), onde superou mais de 37.000 concorrentes. Ganhador do Concurso de Redação da UFSCAR, em 2006. Colaborador da Revista Reuni. Tem publicações na revista científica RUA (UNICAMP) e no LIVRO DIGITAL DE 2011 (UNICAMP).