quinta-feira, 15 de dezembro de 2011




A crônica do sétimo dia

sábado. são 07h:00 da manhã. eu acordo. suspiro. vou ao banheiro. nº 1. nº 2 só depois do café. lavo o rosto. escovo os dentes. levo um resto de sono para depois do almoço. e agora... o café. café. café. meu vício matutino. mato o tino sem ele. não sei se é algo químico. não, não é. é mais ritualístico. o cheiro. a xícara. o som do líquido preto. a mão direita o levando à boca... e a esquerda com o jornal. primeiro, o da situação. depois, o da oposição. e pronto. comi minha imparcialidade do dia... é hora de publicar na grande rede. de início, blogar: um título com uma frase de efeito... e a análise parcial (querendo ser imparcial). para ilustrar, aquela imagem em preto-e-branco ou sépia, com aquele tom vintage... é bonito e tá na moda. e tem as redes sociais. elas são ótimas para linkar o blog ou jogar alguma idéia a esmo. nada muito rebuscado, ou com rococós (como diria a minha vó); porque a maioria dos leitores de lá são preguiçosos: curtem só por curtir. curtem só para apoiar. ou curtem apenas para benefício da imagem: mostrar uma pseudo-inteligência (ou disfarçar uma inoperância-verdadeira). fim da odisséia-virtual-matutina. o barbeiro me aguarda. a barbearia é um bom local para disseminar política. mas é claro... antes vem o futebol. o papo deve começar mais brando, com cara de sábado. “seu Dionízio”, o meu barbeiro, é um cara das antigas. entre um  cliente e outro, ele pega o violão e arranha uma moda. por isso lá eu começo a prosear em um tom mais nostálgico: a última grande era do futebol arte foi a seleção de 82. depois dela, o gramado tornou-se um Coliseu. daí à política é um pulo: começo a falar da corrupção dos árbitros dos campos e de cara já dou o gancho para emendar na corrupção do governo. quanta sujeira. quanta mania de achar que engoliremos tudo à seco. “nunca antes na história desse país...” . é, meu caro... nunca mesmo. saudade do Itamar... esse nunca soube dirigir Brasília, mas pelo menos fez voltar o Fusca. e é de Fusca que encontro um amigo. deixo a barbearia e o acompanho até à lotérica do hipermercado. o Gordo sempre faz sua fezinha. eu não. eu sou Ateu. lá eu apenas o acompanho... figuração mesmo. eu só deixo o posto de figurante quando da lotérica nos dirigimos ao boteco do Jorge. o bar fica num alto e a visão da cidade é linda. ah sim... os tira-gostos são gordos e deliciosamente não-saudáveis. a gente se sente altivo lá. fala das conquistas e ri um monte da superficialidade alheia. o Gordo é um cara bem crítico. e o pior é que na maioria das vezes ele tá certo no que diz. principalmente quando menciona que as pessoas de hoje em dia são verdadeiras piadas-prontas. assino embaixo. e ainda acrescento que muitos microcosmos do nosso tempo são como um circo de extremo mau gosto e de pouca sustentação: os palhaços são cansativos, os acrobatas não tem cérebro e o público é somente uma máquina de aplauso: bate palmas porque pagou a entrada e não porque a piada foi efetivamente boa. e as críticas se intensificam à medida que o álcool bate no sangue. ele nos bota comovido feito o diabo[1]. e neste tom nos despedimos do bar do Jorge. com a alma lavada para suportar mais 7 dias de lama. o Gordo vai para casa. e eu também. nada de almoço, a barriga já está cheia de porcarias. é hora usar aquele sono que guardei pela manhã. ligo a TV - meu melhor sonífero. apago minhas forças e babo. todo mundo baba. só em novela que o povo dorme maquiado e sexy, não ronca e acorda mais sensual do que quando se deitou. e lá se vão 2 horas de sono... até a mini-ressaca me acordar e eu procurar um copo d’água e algo doce para comer. nada mais justo. e nada mais junto: o amor me chama. é hora de rever o amor e deixar as críticas de lado. andar saltitando nas nuvens, ouvir uma boa música, tomar um vinho e ser feliz. não que eu não seja feliz em outros momentos, mas felicidade a dois é outro mundo. só mesmo quem a vive para saber. não adianta eu descrever como é, se sua vida é amarga. é como chamar um herege para ouvir o Sermão da Montanha. não rola. não flui. emperra. trava bem na veia... aí já viu: é AVC a você e a quem mais se sentir atingido. porque se expressar é a arte de causar dor. e com as palavras não é diferente. cada palavra tem um milhão de gumes. então quando escrevo que quero regar uma flor, sem querer podo as pétalas de outra. fazer o quê??? existe a opção de calar ou de ficar em cima do muro. calar causa câncer e eu não tenho equilíbrio para me sustentar em cima de nada. e esta é minha razão de falar, gritar e não acreditar em verdades homeopáticas. ninguém deve suportar uma dor aos poucos. o melhor é sentir de uma vez e chorar seus rios e mares sem diques para impedir a fúria das águas. quando um dique se rompe, as mortes são bem mais numerosas. e nem toda morte é bela como essa que vejo: são quase 19h:00 e o sol está se pondo. a mais bela morte é a do sol, não há dúvidas. há um Quê de tristeza entre o dia que morre e a noite que vem. aquele meio do caminho... quase escuro. quase vermelho. e quase doído. quem for de choro, chora. e quem for de samba, sabe: tristeza não tem fim[2]. ela é eterna feito a saudade. e às vezes é poética, como este jantar: alegria na mesa e Clube da Esquina no som. eu queria que fosse uma vitrola, só que a minha se quebrou junto com boa parte do meu passado. o passado é formado de pessoas. as pessoas criam os fatos e a memória se faz deles. por isso matar em pensamento é necessário para não morrer. é a maldita lei da sobrevivência. estudei as leis por 5 anos e só acredito mesmo em duas: a da sobrevivência e a da gravidade. a da sobrevivência mostra o que somos e a do senhor Newton, com o que e com quem lutamos. quando alguém nasce, a maldita gravidade já impera. e quando a vida lhe dá um êxito, ela lhe derruba e lhe faz lembrar como foi difícil subir qualquer degrau. é cômico, dramático e realista. e é como eu gosto de terminar o meu dia... gargalhando da realidade. retorno à odisséia virtual para rever os comentários sobre minhas divagações no blog: “- Poeta, você escreve muito bem”. “- Poeta, você é foda!” “- Puta que pariu... disse tudo!” – “Hei, estou te seguindo, me siga também”. e nas redes sociais, 27 pessoas curtiram minha postagem (25 a engoliram sem mastigar, 2 a mastigaram, sendo que uma a degustou e a outra... morreu engasgada).

Boa noite e bom domingo a todos vocês!

Texto: Mário Liz
Arte: Flora Bonomini       


[1] Incidental “O POEMA DAS SETE FACES”, de Carlos Drummond de Andrade.
[2] Incidental: "A FELICIDADE", de Vinícius de Moraes

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011



depois de tantos compassos.
tropeços.
comparsas.
e desafetos.
eu posso dizer:
estou livre de todos os pecados possíveis...
e repleto dos impossíveis. 

(mário liz)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011


que a alma dos meus versos seja urubuzante: nas térmicas do céu e nas carniças do chão, e desmetrificada, feito um moleque que nasceu soneto, mas depois se rendeu à orgia da poesia-sem-pudor. que meus verbos e minhas inações possam ferir da mesma maneira, e que jamais eu leve quietude às pessoas, porque da quietude ao marasmo e do marasmo à indiferença, quase não há diferença alguma. que a fome da minha vida por amores seja desmedida, instintiva, incansável e que jamais minha pele se acalme com o morno, minha língua com o insosso e meu gozo, com um tesão de urina. que minhas dores me façam verter todo sangue que comporto... para que depois  eu possa me inebriar do sangue de quem me abomina... até o última gota... até vômito irracional da satisfação. que o meu soluçar seja de embriaguez e o meu silêncio, apenas o do repouso necessário... ou no mínimo, aquele que precede o urro. o berro. o erro. e qualquer coisa que faça o medo escarrar. ou o medo, ou o amor, ou a vaidade...
porque eu sou poeta... e eu quero  que os sentimentos cuspam em mim.

(mário liz)    

terça-feira, 25 de outubro de 2011

manifesto pela verborragia poética


escrevo bonitinho. redondinho. com letras manuscritas. e mais mil firulas se o coração me pedir. mas se ele quiser guerra. carneficino. queimo. rasgo. uso sangue ao invés de tinta. e quem não gostar, ... que espere pelos dias de ternura. mais cedo ou mais tarde eles virão.
ou não
.
(mário liz)

sábado, 8 de outubro de 2011

a morte da Rosa




bom dia...: bastardos, prostitutas, viciados, solitários, hálitos de nicotina, fado e desilusão. o abraço dos puros, intocados e não-vividos não me apetece mais. cansei de paisagens mortas e de papéis de parede. quero chuva e terremoto e frio e calor na minha pele nua. quero ver o sol se por de verdade. sentir primeiro e relatar depois. o mundo da imaginação cai bem só com lisergia. e hoje a minha poesia é muito mais. ela sangra, vibra, transpira e goza... é a Rosa que morreu para o Príncipe viver de verdade.

(mário liz)

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

e toda cor que nasceu sustenida... irá se apagar... porque assim é a vida. e não há o que sustentar à beira do fim. porque a vida é assim.


(mário liz)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

de carro, moto, navio, avião e foguete...



para o pequeno Arthur, em seus 4 anos de vida...




chora que chora, menino. parece um sino. uma sirene. e do mesmo jeito que chora, ri. e corre. e pula. e toca o leme da imaginação. consegue andar de carro, moto, navio, avião e foguete. e muda de rota sem apertar um botão. apenas fecha os olhos. e abre os do coração. derrete uma pedra feito margarina. e ainda ensina que amar não é vão.  não é sangue. o amor se leva de cavalinho. ou na palma da mão... 

(mário liz)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

a pena penosa

não me julguem por crimes pequenos. não furto galinhas. gosto de vê-las livres: ciscando e sassaricando. na verdade as galinhas chocam apenas os seus ovinhos. e como os meus não se aquecem em qualquer cobertor de penas... eu realmente não me choco com elas. eu me choco é por ter sido defenestrado por tão pouco. sou muito pior que tudo isso. sou vil, sou fel e hediondo. e no meu código de ética, me valho de uma só norma: não furto galinhas.

(mário liz)     

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

às escuras ...


minhas palavras... esquecidas?! errado. em primeiro lugar: eu nunca as esqueço. em segundo lugar: tem sempre alguém que me lê. mesmo você o faz... mas é claro... dentro do armário. passa o olho em uns três versinhos e já se emociona. dá até pra imaginar sua cara de besta. mas sabe... não se culpe. as palavras tem esse poder. o jeito é você fechar os olhos e imaginá-las em outro autor. o único problema será arranjar um jeito de ler com os olhos fechados. um problema que, diga-se de passagem... é somente seu.

(mário liz)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

a grande banana


de repente EU. de repente VOCÊ descobre que não é mais aquele herói. e que os feitos deixaram de ser. de repente EU. de repente VOCÊ percebe que o herói não se perdeu. nem mudou de lado. nem se rendeu. de repente EU. de repente VOCÊ quis ao menos por uma vez pensar em Si. porque pensar em foi o tom nosso de cada dia. de repente EU. de repente VOCÊ perdeu discípulos porque fugiu da cruz. e um mito que se preze deve morrer. de repente EU. de repente VOCÊ apenas trocou de planeta. trocou MÁRTIR por TERRA. e isso é contra o sistema... solar. e de repente EU. de repente VOCÊ teve aquele desejo sem pudor. e mandou o Sol se por!
(mário liz) 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

(...)

assassinos devem assar: o inferno é aqui. assem vivos os assassinos. e depois... há cem sinos para se tocar. e anunciar a festa. brindar a ausência de quem ceifa a vida. e ceifá-los da mesma maneira. e atirar a poeira queimada no esgoto. e pedir desculpa aos ratos pela sujeira causada. porque mesmo eles não merecem tanta imundice. a ponto de preferirem a cabeça presa em uma ratoeira. e eu falo aqui da escória. da história de quem apaga a luz dos outros. e a vida tem luz própria. ela se apaga. não se apega a ninguém para fazê-lo. pois há o capítulo de florescer e há o capítulo de murchar. o que não está escrito é ter as raízes arrancadas da terra.

(mário liz)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

eu digo NÃO aos phophos!


se é pra ser monstro, seja como eu: saia por aí assustando as criancinhas. sente no assento dos idosos. troque o acento das palavras. ataque as mocinhas indefesas. jogue bombas de cocô em seus amigos. amarre uma fatia de salame no rabo de um cachorro. dê laxante a um gato. mije na porta de uma igreja. conte uma piada em um velório. e outras mil eteceteras maléficas. só não me venha bancar o monstrinho bom. porque de monstros altruístas e boas intenções... o inferno, a OAB e o CONAR estão cheios.

(mário liz)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

o amor docê comigo é doce. como se nada mais fosse. e a vida fosse só a gente. e há tanta palha nesse fogo... que ocê sente. ocê sente como eu sinto. como eu sei que não há chuva. e nem há vento ... que apague esse recinto. esse amor sem abster... que não recorre a absintos. eu amocê comocê é. e isso sim é doçura. o resto é aspartame: açúcar disfarçado de amargura.

mário liz


segunda-feira, 29 de agosto de 2011


hipocrisia é mato

sorriso amarelo é mato

e pior ainda são os ambientalistas

que não me deixam queimar nada disso...


(mário liz)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

liz in the sky with diamonds

vontade de brincar um cadim. um quindim. um doce pra me perder. e tropeçar nos sentidos. porque nem tudo tem de ser coeso. ensimesMAR no rio. no desvaRIO do mar. e atracar os ouvidos. em canções que não me façam chorar. pois quero sorrir. e vou sorrir. até serrar os dentes. até surrar o ANTES. e se eu errar novamente. e não me restar mais dentes. apagarei a luz. e como quem se entrega à alma louca. contarei estrelas no céu. da minha boca.

(mário liz)          

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

 
não interpreto nada que não seja eu mesmo. se minto, sou eu. se convulsiono, sou eu. eu sou tudo o que me constrói e tudo o que me desfaz. e todos também o são, mas nunca assumem. simplesmente somem em suas filosofias de autocomiseração. ou colocam a culpa no vizinho... porque atirar o lixo no terreno ao lado mantém a casa limpa. o erro dos outros só fede mais pois quase ninguém parou para tragar o próprio peido. e sentir as notas e as texturas daquilo que realmente são. desde que parei de prender a respiração para certas coisas... minha vida privada ganhou a conotação que merece.

(mário liz)  

sexta-feira, 12 de agosto de 2011


ela não morreu de uma vez.

morreu

aos palcos.


(mário liz)

terça-feira, 9 de agosto de 2011



nem caminhos, nem estrada... nem nada. é só uma alma velha... e bastante enferrujada. um metal poroso... oxidado. e é bem estranho oxidar: uma reação com o oxigênio (logo ele... que é tão vital). é como dizer: o que me alimenta é o que carcome. e é uma pena que isto também valha para o amor e quaisquer outros sentimentos. somos frágeis e basta uma brisa para ruir o que nos mantém. a mesma brisa que acalenta a pele ao fim de todas as tardes... muda a poeira de lugar e tem a mania de tecer montanhas com a carne morta de outras pedras. e eu sinto este vento me lapidar... e carregar alguns nacos da minha vida para outra escultura. confesso que seria interessante ver um pedaço de mim nos átrios de outra pessoa. mas, sentir a vida se perdendo diante dos meus olhos, do meu corpo e da minha alma enferrujada... isto não é nada confortável.

(mário liz)





sexta-feira, 5 de agosto de 2011

para Lara Amaral




bom mesmo é ser pequeno:
uma pedra no sapato
de quem não sabe
andar descalço
!

(mário liz)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

vivo



gosto de como a luz toca o seu corpo... e de como a penumbra o envaidece: a coisa da luz e da meia luz... e dos meus olhos mordendo a sua pele.
gosto de como a sua voz rompe a quietude do mundo. e ao mesmo tempo, de como ela se aninha no meu peito: a coisa entre a voz e a calma... e o meu mundo que é único... e é você.
gosto da crueldade do seu carinho ante a minha solidão e do seu jeito de mata-la: visceral e no talo de qualquer fresta do meu peito: a coisa de matar o que me fere e me aferir em carne e alma.  
gosto das suas flores que são todas e dos seus espinhos que são poucos. e do modo como me marcam a pele: a coisa do aroma e da ranhura.
gosto de como as juras são trocadas e banhadas com saliva e sonho. e gosto do meu jeito de não mensurar e nem conter o amor que sinto por você: a coisa vital de respirar e beijar a vida na imensa alegria de estar vivo.

(mário liz)

quinta-feira, 21 de julho de 2011


em tempos de cólera, manter-se calado é uma blindagem. e se a boca espumar, simplesmente apague a prosa, o verso, a canção... e se recolha. deixe a verborragia fluir apenas nos sentimentos que não tenham cerdas. o resto é hemorragia: o movimento desordenado do sangue. palavras tem esse peso... e para cada verbo de cicatrização há outros mil ecoando mágoas... uma câmara de eco com cheiro de câmara de gás.

(mário liz)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

devaneio ...


que seja etéreo
enquanto dure
.

(mário liz) 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

 
teus lábios rentes

teus lábios tintos

teus lábios tantos

meus labirintos
 
(mário liz)

terça-feira, 21 de junho de 2011

não culpem o pobre passarinho

para Mazinha e Adriano

eu sou do tempo do Ki-Chute. do Bozo. do Hino Nacional na escola. eu sou do tempo em que andar descalço era liberdade. do tempo em que a puberdade não florescia aos 09 anos. eu sou do tempo do leite da roça. dos piques na rua. dos apelidos que não eram bullying. eu sou do tempo da caderneta na padaria. da quitanda no bairro. do tempo em que folia era confete. eu sou do tempo em que o Pica-Pau se travestia, agredia, fumava e pervertia; e nem por isso deixei de ser quem sou. nunca matei ninguém, além da minha fome. e das vezes que feri alguém, foi por não saber lidar com vida. é como dar um passo a frente e matar um Castelo. mas é por culpa de não saber viver... deixem o Pica-Pau em paz...

(mário liz)

sábado, 18 de junho de 2011

29

cada ano é um caco. e 29 cacos é o que sou hoje. cacos juntinhos, remendados. uma figura não-terminada. remendos com sangue, outros com água. a poesia retalhada. o laço dos 29 assaltos. e o gongo do novo round. co’a carne mais velha e a alma enxuta. o novoVelho filho teu. que em 29 cacos se perdeu. mas que também não foge à luta...
(mário liz)

sexta-feira, 10 de junho de 2011

a pulga que o pariu lhe expulsou de casa. e agora? o que será de você nessa greve que segue? o que será de você nessa greve de sangue? um Circo de Pulgas sem holofotes? um Circo de Pulgas sem elefantes?  um circo de pulgas... sem pulgas? você tem um monólogo na manga? ou uma comédia em pé? ou ao menos uma pá pra erguer um refúgio após o tombo? ou edificar a sua tumba? ou até depois de morto você vai viver dos outros? será que você vai se mudar pra algum cachorro morto? e esperar que algum Jesus o ressuscite? ou vai suscitar a piedade alheia... e fazer mais um castelo de cartas e outro de areia?

(mário liz)       

sexta-feira, 3 de junho de 2011

atonal



por que poesia? por que não outra arte? por que carpaccio e não hambúrguer? por que todo esse clima se o final é sempre sexo (ou merda)? por que essa profusão se tudo anda tão igual... se não há mais que duas cores no mundo? por que você ainda insiste em descobrir tons? Tom é morto. Elis é morta. deixe o Tom de lado... e por favor, NÃO seja feliz! porque se você for feliz... neste mundo sem Tom e sem Elis...; nas noites com hambúrgueres e nada mais... você é realmente muito pouco. e é do tamanho daquilo que lhe satisfaz...

(mário liz)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

a pele está marcada

a pele está marcada e há versões: algumas dignas, outras sombrias e muitas como parques de diversões. a pele está marcada e aversões por todos os lados: uns rangem os dentes, outros se perdem, muitos apontam pecados. a pele está marcada e todos se esquecem que também estão marcados. e que no mercado da dor não há quem não venda o seu peixe...

a pele está marcada e a cicatriz é o que se leva da vida - uma obra de arte no corpo... que se fez valer ao ser esculpida. que já foi aberta em tom de ferida... e depois secou. e que hoje, liberta, há de ser germinada mesmo se ainda sentida. germinada mesmo se incerta. porque a pele está marcada... mas não está deserta...

(mário liz)   

sábado, 28 de maio de 2011

 
um verso não é um dano, nem escondido, nem aparente. ele pode nascer d’uma dor, mas é feito semente: rompe a terra sem por favor... e  flor-e-sente! ilumina. clarividente. a evidência da alma. e o risco permanente de emprenhar as pessoas. pois a poesia não tem dono: o poeta é o vetor de tudo aquilo que o mundo sente...

(mário liz)

quinta-feira, 26 de maio de 2011


  
  olhos NUS olhos ...




  (mário liz)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

pessoas (passam) pessoas

pessoas (passam) pessoas. gira mundo e olhares. lares. céus e raios. raios solares. e similares ao fogo todos fagulham. fagulham pessoas no mundo. no mundo de todo mundo. marrons marroquinos. arianos. amarelos. pretos como a noite. noite-preta-linda. pessoas (passam) pessoas. gente junta. gente sozinha. gente parada. gente agente. crente e descrente. com pouco. com tanto. contente. vistas do céu parecem formigas. vistas na carne parecem macacos. vistas chorando não passam de cacos... 

quebra-peito, quebra-cabeça: o mundo é uma peça. um grande teatro. ato por ato. nos desacatos. nos trejeitos. são todos atores no aturar da dor e na alegria dos dias menores. e como as pessoas... os dias também passam. dias (passam) dias. e a pele desentranha as nervuras. no preto, no branco e no amarelo: o tempo que rompe o elo resseca a gravura. mas fica gravada a lembrança do riso. o cheiro da dança, do beijo e da jura. a imagem dos caminhares, olhares e lares. pessoas (passam) pessoas. no centro do mesmo chão. e os sonhos nos mesmos ares...

(mário liz)

sábado, 14 de maio de 2011

Análise RuiBrauniana do mundo em 14/05/2011... quando retornamos à Idade Média

casaram a princesa

mataram o terrorista

beatificaram o papa


- é melhor eu sossegar ou ainda me queimarão vivo ...  




(mário liz)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

a Aquarela e o Poema


ela, uma Aquarela numa folha qualquer sem um sol amarelo. ele, um Poema em uma casa muito engraçada, que não tinha teto e não tinha nada. e com 5 ou 6 retas ela fez um castelo... sem um reinado no coração. e ele, o Poema da casa sem chão, sentia-se só... mesmo na multidão. era um peito aberto... mas ninguém entrou ali não. mas um dia a Aquarela viu o Poema... e com o lápis em torno da mão... o encaixou feito uma luva. e o Poema da casa sem parede, agora tinha um castelo para se esconder do frio e da chuva. e ela foi voando, contornando a imensa curva, norte-sul. e ele deu as mãos à Aquarela... e a Rua dos Bobos é agora um imenso céu azul.

(mário liz)

domingo, 8 de maio de 2011

está decretado: é proibido amar outra pessoa. o amor tem de ser certinho. quadradinho. engaiolado e com cheiro de naftalina. se não for assim... é crime. e o decreto decretou que é hediondo ser feliz. e Ai de quem ousar. línguas cortarão asas: azaléias, as arenas de sonhos vividos. azar de quem se arriscar e riscar com cores quentes o cinza criado. azar de quem não for um criado mudo...

(mário Liz)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

S2

você pode pensar que a minha poesia se foi. ou que ela vive no lugar-comum de todas as coisas. ou que minhas palavras são todas iguais. e que não há iguarias. você pode pensar e sentir o que bem entender. e eu também entendo que não é da minha conta decifrar a grande merda que é o seu coração. prefiro dissecar um sapo e assoviar uma canção de roda. prefiro engolir a seco uma perda a decifrar um coração de merda. pra mim, esgoto é esgoto e poesia é poesia. mas você pode pensar o que quiser. e não serei eu a lhe ensinar a diferença entre privada e pia. continue a voar com seus pensamentos. e a escovar os dentes com papel higiênico...

(mário liz)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

a saudade não morre. seu para sempre apenas dorme. é feito um sono de beleza. mas que quando desperta insurge mais intensa que a vida. e a saudade é o tempo que faz o Tempo passar rapidamente. e com a mesma força o alarga quando o sentir é não-estar. não estar perto. não estar pronto para a ausência. porque ninguém nunca está. porque a saudade é um moinho de duas caras. que tanto pode acalentar com sua canção de água e vento. como pode moer. e transformar a carne em pó. e a lembrança... em sofrimento.

(mário liz)   

terça-feira, 26 de abril de 2011

...

Arte: Flora Bonomini



para Flora Bonomini


eu vou amar os seus traços. os seus rastros deixados. vou amar os seus braços. amar o seu berço. eu vou amar o seu filho. e vou amar seus vestidos. eu vou amar seu retrato. vou amar sua retina. eu vou amar o seu hálito. vou abrir as cortinas. eu vou dançar no tablado. e vou amar o seu rosto rindo do meu desajeito. eu vou amar os seus fatos e os seus dias de pouca folia. eu vou amar sua poesia e sua tristeza. eu vou amar sua beleza de uma noite não-dormida. e vou olhar nossos erros feito um trem que passou e que morreu sem ter vida. eu vou amar até suas mazelas. e vou me dissolver no seu silêncio. e vou atracar minha vida no seu rumo. irremediavelmente no seu caminho. a nossa estrada. um campo sem cercas. acerca de milhares de sonhos... para que nada se perca...

(mário liz)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

não me tirem daqui

não me tirem daqui. deixem meu corpo no céu. no ar, sou dirigível. no chão, sou digerível. o mundo me come. trava meu passo com dentes. traz meu inferno com Dante. e me pede pra ser condizente. como se fosse possível... como se fosse plausível transformar sentimentos em razão! talvez apenas se alma fosse um monte de argila... e eu não fosse todo coração. mas mesmo assim: uma parte já seria o bastante. se enraizaria no concreto com aquele jeito terno e aconchegante. e ao final, poria a razão novamente ali: com a poeira dos livros na estante. com a poesia sóbria de uma segunda-feira.  ou com um cigarro à beira de um cinzeiro. e uma xícara de café... sem açúcar. adoçado com terra. todas colheres de chão. por isso não... não me tirem daqui. cuidem do terreno e do mundo que chamam de seu. e deixem meu corpo no céu...

(mário liz)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

meio mar, meio rio, meio lago ...

diabéticos, por favor, não leiam. mas é que estou amando... e tudo tende a ficar mais doce. a poesia pende à sobremesa. e as palavras não anoitecem mais. há um cento de sonhos e uma casinha no lago. e aquele açúcar nas mãos. na língua. e onde mais couber um afago... 
(mário liz)

domingo, 3 de abril de 2011


vossas alfinetadas
são
a minha acupuntura
.

(mário liz)

quinta-feira, 31 de março de 2011

a vida é feita de várias mortes. minha morte em você, sua morte em mim. minha morte nos outros e mais outras mortes no infinito ciclo do fim. e as mortes apodrecem, fedem e depois beiram o esquecimento. outras, menos doídas, ganham o frescor da saudade. mas querendo ou não... tudo é morfina. tudo é a vacina de nos reconstruir: gozar e viver mais sete passos... cavar e esquecer mais sete palmos...

(mário liz)

terça-feira, 15 de março de 2011

- 17/06/1982 ... : - Presente!

eu não sei vomitar com calma. se quero calma, não quero vômito. se quero vômito, descarto o plácido. troco um soneto por suco gástrico. o amor assíduo, por ácido: o que corre são não está mais por mim. e em tudo há um tom de ladeira. tudo é à beira. e não existe querer... ainda que o bem-me-quer me queira. e não há o que curar... se todo fim é sempre uma queda. talvez aproveitar os 3 segundos: aqueles no ar, entre o chão e o inferno. depois, arrombar a porta... e dizer ao Diabo: - Pois é... não me chamou? Eu estou aqui...!
 


(mário liz)        

sábado, 12 de março de 2011

poema-sem-calma

ofegar. tremer. gaguejar. titubear. transpirar. gritar. emudecer. ruborizar. transtornar. transparecer. lacrimejar. verter. sangrar. não-estancar. entornar. enraivecer. vomitar. gritar. efervescer. ranger. esfolar. não-suportar. não-se-portar. surtar. morder. arranhar. enfurecer. pisar. espumar. convulsionar. explodir. esfarelar... e assoprar!

(mário liz)

quinta-feira, 3 de março de 2011

(...)


ser um poeta maldito é uma benção. bem-aventurados aqueles que o são. minha carne na fogueira, um poema desbocado. e a costumeira aflição: viver e querer, querer o que vier, não ter, não ser, não querer. estar onde o estrondo estiver. e no meio do caos, assoviar. e o aço virar um pedaço de céu. e a solidez da alma não passar de uma nuvem. uma coisa que vem e vai. e que morre orvalho na pele da planta... se o dia canta e a noite cai. e ser um poeta maldito é embrenhar na noite caída. e emprenhar essa luz com cheiro de morte. com toda a maldita loucura devida.


(mário liz)

quarta-feira, 2 de março de 2011

gato-do-asfalto


não posso morrer outra vez. há pouco perdi minhas 7 vidas. tentei hipotecar minh’alma para ter o direito de morrer novamente. mas o diabo é irredutível... e eu sou um péssimo negociante. então a mim, a partir de agora... resta apenas viver. viver esta última vez. caçar os meus ratos. andar pela noite. olhar para os lados ao atravessar a rua. e fazer o que mamãe sempre pediu: colocar minha vida nos trilhos... ainda que amarrada... a espera do Trem que a fulmine.



(mário liz)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

a flor de Ter Sido


Para Renata de Aragão Lopes

uma Flor de Tecido
pode nunca ter sido...
e se algo foi
(quando foi)
nem foi sombra de flor.
mas uma flor de Ter Sido
mesmo seca...
é sempre mais flor
que qualquer Flor de Tecido.

(mário liz)

Renata de Aragão Lopes, a quem dediquei este poema (que foi inspirado em um de  seus textos) é uma grande poetisa mineira. Sua bela obra pode (e deve!) ser conferida no Doce de Lira. Seus versos sempre elidem soniridade, alma e uma incrível volúpia de vida. É realmente imperdível.
http://docedelira.blogspot.com/
a menos que tudo não se perca. se tudo isso importa. se a força de viver que nos cerca. não fechar a porta. a menos que nada aconteça. nem um verso, nem uma carta. e esse frio que corta. nos partir e enterrar a carne morta... eu estarei aqui.

(mário liz)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

sapiência


tenho certeza
que todo “acho”
é um coaxo.

(mário liz)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


olhos cor de jade:
desta feita, seja feita
a tua vontade


(mário liz) 

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

sou como uma pedra de carne que pulsa. uma pedra de carne que pensa. uma pedra de carne que ama. sou meio bicho do mato. meio bicho das luzes. sou sempre meio bicho de qualquer lugar. sou quase tudo. quase tanto. quase céu. quase mundo. sou também o desmando que brota da vida. a falha da previsão. a angústia. o apuro. o sangue que me corta em nervuras. que vive em fervura e flui a gritar. que às vezes me corta o marasmo em tom de milagre. ou me azeda num balde de gelo e vinagre a brindar. sou espinho de flor que fere o dedo de quem se aproxima. mas sou a rima que beija a palavra do que se faz amar. sou armadilha de mel e cicuta. de olhar e escutas. de cataclismas e cata-ventos. de caviares em cálices bentos. sou ar. sou vento. a paixão. o movimento do fato e da cisma. sou cosmo. sou pasmo. sou cuspe e carisma. o espasmo do tapa... uma Lapa no Rio. o fio do sonho e da terra. sou torre. sou rei. sou peão. sou branco. sou preto. sou pardo: ardo em meu coração.

(mário liz)

Quem sou eu

Minha foto
Pouso Alegre, Minas Gerais -, Brazil
Redator Publicitário e Planejamento Estratégico da Cartoon Publicidade, graduado em Publicidade e Propaganda pela UNIVAS. Bacharel em Direito, graduado pela Faculdade de Direito do Sul de Minas. Roteirista do projeto multimídia E-URBANO1 e E-URBANO2, pela UNIVAS E UNICAMP. Ganhador do concurso nacional de redação de 2006 (MEC E FOLHA DIRIGIDA-RJ), onde superou mais de 37.000 concorrentes. Ganhador do Concurso de Redação da UFSCAR, em 2006. Colaborador da Revista Reuni. Tem publicações na revista científica RUA (UNICAMP) e no LIVRO DIGITAL DE 2011 (UNICAMP).