quarta-feira, 25 de novembro de 2009

meio mar




meio mar



(mário liz)



em meio ao mar: ser mais febril e meio. no meio, amar: almar-me além do meio. no estalo da carne sem esteio. no estorvo da dor - eu me contraio. meus comigos de para-raio. tendões à flor da pele em cheio. chuva no céu que caio. eu me dissipo. eu, meu discípulo. e me nego três vezes antes do galo cantar. meio mar me dano, me aceno, me enveneno. queimo, aciono, enceno. faço aziar um copo de água e Eno. engulo as chaves da prisão... me condeno. culpado por sentir. por chorar. meio mar a melar. marmelo de sal. os dentes rangem a sós. no céu da boca, desfeitura de nós. voz da garganta. grita que corre. voa que canta. abismada voz. a mão na queimadura do verso. no abscesso da alma. calma, meu filho ... calma. o rio há de chegar pra molhar. e secar esse trauma.

6 comentários:

Thai disse...

Fascinante a maneira cmo vc escreve Poeta...Meus parabéns! =)

Renata de Aragão Lopes disse...

Muito bonito!
Este trecho, em especial:

"eu me dissipo.
eu, meu discípulo"

Um beijo,
doce de lira

polegarzinha disse...

fico encantanda com seu jogo de palavras... leio e releio que nem criança feliz com a descoberta! qdo eu crescer quero ser igual a vc... (risos) é mta sensibilidade pra ser real. lindo! parabéns.

Mário Liz disse...

renata, obrigado pelas palavras. o trecho em destaque é uma afirmação não só minha, mas sim, de todos nós ... pois somos nossos próprios discípulos na desordem da vida.

polegarzinha, fiquei tão inflado agora que ... virei um balão de são joão ...rs

Simples Assim... disse...

Já costumo escrever comentários enormes por aqui. Imagina quando venho responder dois comentários seus e ainda chego aqui e me vejo num espelho d'água. Nem sei por onde começar. Melhor pelo começo... rs.

O nome que vc não sabe. Danielle. Interessante o que acontece por aqui. Trocamos pensamentos, ideias, sensações tão profundas através de nossas linhas e entrelinhas e detalhes básicos passam despercebidos e só começam a aparecer num segundo momento. Talvez se as pessoas em todas as suas relações buscassem isso, primeiro ver o que está além e depois vir "fechando" a imagem, talvez os encontros fossem muito mais ricos, supreendentes. Por falar em encontro rico, surpreendente, fiz sim o transplante, mas fui a doadora, doei um rim pra mim mãe no meio desse ano. O que, aliás, não exclui as coisas que vc falou sobre renascer, resgatar, retomar. Costumo dizer que é bem discutível essa história de quem salvou quem. De certa forma, também saí daquela sala de cirurgia curada. Mas, essa é uma longa história...

Quanto aos seus 4 atos lá no Impressões foi, certamente, uma das melhores coisas que já li por lá. Já era um texto seu ou "saiu" na hora de comentar? Não é uma pergunta retórica, viu? Essa resposta é bem importante pra mim.

Estive observando a recorrência de um pedido de calma... menino... meu filho... Só que a voz pequena "entra" em recantos muito profundos, num momento aparentemente de introspecção, solidão até. Isso faz com que a voz ganhe ares de onipresença, uma coisa meio divina, não divina, angelical. Divagações, divagações... rs.

Bjs.

Barbara disse...

Rio cura sal do mar mas o sal do mar cura o que do mar não é.
Muito bacana essa sua postagem!
Não deixa secar não!

Quem sou eu

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Pouso Alegre, Minas Gerais -, Brazil
Redator Publicitário e Planejamento Estratégico da Cartoon Publicidade, graduado em Publicidade e Propaganda pela UNIVAS. Bacharel em Direito, graduado pela Faculdade de Direito do Sul de Minas. Roteirista do projeto multimídia E-URBANO1 e E-URBANO2, pela UNIVAS E UNICAMP. Ganhador do concurso nacional de redação de 2006 (MEC E FOLHA DIRIGIDA-RJ), onde superou mais de 37.000 concorrentes. Ganhador do Concurso de Redação da UFSCAR, em 2006. Colaborador da Revista Reuni. Tem publicações na revista científica RUA (UNICAMP) e no LIVRO DIGITAL DE 2011 (UNICAMP).