
(mário liz)
contigo não contenho a sede tanta,
que me desperta o amor na terra incerta.
e até o sol, n'ardência que deserta;
contigo é luz que pulsa e me quebranta.
e o teu olhar é feito a porta aberta,
que quando caio – em versos me levanta.
fechada a tua porta ainda encanta,
pois ao teu lado o que desfaz, liberta.
e mesmo quando estás assim, distante,
de longe a tua voz se funde ao canto
que canto em mim, se a minha dor me cala.
mas quando a noite vem e vem vibrante.
e tu estás comigo, o nosso espanto:
é só parar se o dia invade a sala.