amigos leitores,
eu não costumo colocar "off" em minhas postagens. Acho que em toda história do meiomarmeiorio devo tê-lo feito umas duas vezes. Mas é que esta, em especial, merece uma colocação: a questão da "prostituta em seu lapso de santa". Agradeço à leitora e escritora Danielle, por criar o conto que em seu blog subdivide-se em: Uma dose de Humanidade e Lágrimas de Sangue, porque minha inquietação se fez a partir dele.
vale a pena.
um forte abraço e tenham um ótimo 2010.
um ano novo é como um filho que nasce. então há todo aquele cuidado: cortar o cordão, alimentá-lo, limpar a merda. e muito embora o tempo não pare, o ano pode morrer. e parece que em mim ele nasceu meio morto. aí chegam as pessoas e dizem: olha pro’s seus problemas, poeta... eles são tão pequenos. mas é que cada coração tem um tamanho. e cada corpo uma força. e eu sinto minha sombra um tanto mais arcada. sei lá se isso é cruz ou se é credo. o que sei é que não há segredo: minhas pernas doem. minhas costas doem. e às vezes bate uma vontade estranha de parar. não morrer, parar. é algo mais covarde que me doar à morte. e eu também não poderia me dar a esse luxo. não por mim, é claro. há gente que me ama (andando por aí). almejando mais tempo ao meu lado. e sinceramente... não sei me expressar quanto a isso. eu sei que é bom. e o que me dói mais é não achar tão bom assim. na verdade eu me sinto como uma prostituta que se faz de santa e horas mais tarde, volta ao metier. porque será assim quando eu terminar essa letra. ela sairá de mim em um parto de sangue e luz. mas o passo seguinte será o entrave: eu de cara com a vida e sem claridade. sem sangue. sem parto. só cuspe e úteros secos.
(mário liz)